Estive num encontro alegre, promovido pelas nobres afilhadas da casa, sob o nome de Valentunas — um evento que, à primeira vista, parecia celebrar a união, a música e a harmonia entre vozes distintas. E, de facto, houve união. Houve música. Quanto à harmonia… permanece matéria de debate filosófico.
Pois aprendi, ao observar os homens, que “nem toda a união gera força; algumas apenas revelam, com maior clareza, a desordem que já existia.” E assim foi quando vozes masculinas e femininas, em vez de se elevarem mutuamente, escolheram antes disputar o mesmo espaço, como dois generais que comandam o mesmo exército sem acordo prévio.
Notei também o sofrimento silencioso daquele a quem chamam Magíster — homem outrora seguro, agora reduzido à condição de pastor sem rebanho, tentando ordenar aquilo que nunca lhe pertenceu. Pois “não há tormento maior para o governante do que tentar controlar aquilo sobre o qual nunca teve domínio.” Vi nos seus olhos não a autoridade, mas o desespero refinado de quem percebe, tarde demais, que a ordem é apenas uma ilusão que os jovens toleram temporariamente.
Quanto aos mais novos, observei neles aquilo que sempre observei na juventude: a fome. Não apenas de pão, mas de validação, de afeto e de qualquer promessa que alivie o peso da sua própria insignificância momentânea. E assim, guiados não pela razão, mas pela necessidade, deixaram-se conduzir por presenças cuja virtude residia menos na sua qualidade e mais na sua disponibilidade. Pois “o homem faminto raramente escolhe; limita-se a aceitar.”
Houve também o regresso de fantasmas — pois poucas forças na natureza são tão persistentes quanto o passado mal resolvido. Uma antiga ligação, julgada extinta, vagueava entre os vivos, procurando novos portos, novos olhares, novas fraquezas. E como é próprio da natureza humana, houve quem confundisse aviso com oportunidade.
Mas talvez o mais notável de tudo tenha sido a aceitação coletiva deste ciclo. Pois ninguém ali ignorava que aquele fim de semana não era exceção, mas continuidade. Mais um capítulo na lenta e voluntária destruição que os homens chamam tradição e que, em privado, reconhecem como decadência.
E assim escrevo, com a serenidade de quem apenas observa:
“O homem que caminha voluntariamente para a sua própria ruína raramente o faz com tristeza; fá-lo com um copo na mão e rodeado de amigos.”
Pois na boémia, como no poder, o perigo nunca reside na queda — mas na estranha alegria com que se aceita cair.
— Niccolò dei Tunavelli, Conselheiro da Boémia
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