Avançar para o conteúdo principal

*Dos Perigos da Mistura e da Ilusão do Controlo* por Niccolò dei Tunavelli

Estive num encontro alegre, promovido pelas nobres afilhadas da casa, sob o nome de Valentunas — um evento que, à primeira vista, parecia celebrar a união, a música e a harmonia entre vozes distintas. E, de facto, houve união. Houve música. Quanto à harmonia… permanece matéria de debate filosófico.
Pois aprendi, ao observar os homens, que “nem toda a união gera força; algumas apenas revelam, com maior clareza, a desordem que já existia.” E assim foi quando vozes masculinas e femininas, em vez de se elevarem mutuamente, escolheram antes disputar o mesmo espaço, como dois generais que comandam o mesmo exército sem acordo prévio.
Notei também o sofrimento silencioso daquele a quem chamam Magíster — homem outrora seguro, agora reduzido à condição de pastor sem rebanho, tentando ordenar aquilo que nunca lhe pertenceu. Pois “não há tormento maior para o governante do que tentar controlar aquilo sobre o qual nunca teve domínio.” Vi nos seus olhos não a autoridade, mas o desespero refinado de quem percebe, tarde demais, que a ordem é apenas uma ilusão que os jovens toleram temporariamente.

Quanto aos mais novos, observei neles aquilo que sempre observei na juventude: a fome. Não apenas de pão, mas de validação, de afeto e de qualquer promessa que alivie o peso da sua própria insignificância momentânea. E assim, guiados não pela razão, mas pela necessidade, deixaram-se conduzir por presenças cuja virtude residia menos na sua qualidade e mais na sua disponibilidade. Pois “o homem faminto raramente escolhe; limita-se a aceitar.”

Houve também o regresso de fantasmas — pois poucas forças na natureza são tão persistentes quanto o passado mal resolvido. Uma antiga ligação, julgada extinta, vagueava entre os vivos, procurando novos portos, novos olhares, novas fraquezas. E como é próprio da natureza humana, houve quem confundisse aviso com oportunidade.

Mas talvez o mais notável de tudo tenha sido a aceitação coletiva deste ciclo. Pois ninguém ali ignorava que aquele fim de semana não era exceção, mas continuidade. Mais um capítulo na lenta e voluntária destruição que os homens chamam tradição e que, em privado, reconhecem como decadência.

E assim escrevo, com a serenidade de quem apenas observa:
“O homem que caminha voluntariamente para a sua própria ruína raramente o faz com tristeza; fá-lo com um copo na mão e rodeado de amigos.”
Pois na boémia, como no poder, o perigo nunca reside na queda — mas na estranha alegria com que se aceita cair.

— Niccolò dei Tunavelli, Conselheiro da Boémia

Comentários

Troll 69 disse…
Nicollau... Nicollau... Nicollau... Não leves a peito o sussedido. O quimporta é que deu pa alimentar aquela fomeka coletiva... de CÓÓÓÓÓNAAAAAAA! Eu aproveitei bem ehehehehehe! Estudasses
Troll 69 disse…
Quando é que o ram... o incendiário volta qui pa mandar umas postas? Quero-le trollar desde o ano passado

Mensagens populares deste blogue

Ementa Regional com alma portuguesa Sábado - 8 Novembro

Entrada: Azeitonas de Braga Firmes, carnudas e mergulhadas em azeite, alho e orégãos, as azeitonas de Braga são um hino à simplicidade. O sabor salgado e o perfume do azeite abrem o apetite e anunciam uma refeição genuinamente portuguesa. Servidas num prato azul bebé, são um excelente aperitivo para o repasto.  Prato Principal: Ensopado de Borrego à Moda da Guarda Fumegante e robusto, o ensopado traz carne tenra e molho espesso de pão e vinho. Cada colher é conforto beirão puro — rústico, intenso e cheio de alma serrana. A carne tenra faz salivar mesmo os mais céticos.  Sobremesa: Torta de Viana Doce e delicada, a torta de Viana é puro encanto: húmida, dourada e levemente cítrica, derrete-se na boca como um sussurro de mar e açúcar. Come-se de uma só colherada.  A companhamento: Vinho do Porto Colheita 1995 Com notas de frutos secos e caramelo, o Porto de 1995 encerra o percurso com elegância e calor, ligando as três regiões num brinde à tradição. À nossa! 🍷 🍴Gastró...

Eu é que sou... o dono dos ovos!

Bem, foi mais um fim de semana normal, viagem de autocarro para Barcelos, copos (enquanto havia cerveja), os caloiros a esquecerem-se de coisas, os bandeirinhas mais uma vez a não deixarem cair o pau, o Adolfo a partilhar no Insta 15 vídeos dele a cantar, pisaduras e aprendizes em malas de carros, tudo normal como disse. Vamos por partes, eu confesso que até vi o saco das baquetas no autocarro, mas achei que seria mais entusiasmante não dizer nada! E foi!! A reação do chefe de naipe foi linda! Pior do que quando soube que o Boavista ia acabar! Moral da história, deixar sempre um caloiro para trás para trazer o que falta.  O espetáculo, o que posso dizer... É o costume, sofrível... Microfones sem dar (e ainda bem para alguns), estandartes sempre no ar, pandeiretas sem ganhar, e Adolfo a partilhar (os vídeos)! Lá trouxemos 3 galos para fazer um arroz de cabidela, mas atenção que o dourado é mais rijo, mas a receita deixo para o meu amigo Gastrónomo!  Ah, e encontrei um telemóvel...

A sério que me incomodaram para isto?!?

Já estamos em 2025... Txiiiiiii! Não sei porquê o despertador só tocou agora, ou melhor, já me vieram incomodar com estas coisas das Tunas! Parece que dia 15 de Novembro se vão juntar de novo, mas não conheço nenhum! Ou melhor andam por lá uns 3 ou 4 dos antigos que não devem ter mais nada para fazer, nem uma mulher como a minha que me dá umas lapadas se sair de casa! Agora para mandar umas bocas às miúdas, só quando elas tiram as roupas para os exames lá no hospital.  Mas já me vieram contar que a juventude tomou conta daquilo e estão a ir muito bem! Pelo menos devem ter-se livrado do cheiro a mofo de alguns! Agora não, eles são mais lavadinhos e atinados. Mas continuam a faturar menos que o A****a com 60 anos! Vá, vou meter combustível no maçarico, porque de certeza que dia 15 vai haver muito para incendiar! Tenham cuidado que eu vou estar atento! Incendiário